Fish

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Diabetes


Nos dias de hoje, muitas pessoas estão familiarizadas com os sintomas e riscos associados com a diabetes. Existem dois tipos de diabetes, Tipo 1 e o Tipo 2. No diabetes tipo 1, o corpo não produz insulina, enquanto que no diabetes tipo 2 ou o organismo não produz insulina suficiente ou não é capaz de usar a insulina correctamente.
Os diabetes são geralmente diagnosticados com um teste  rápido de medição da quantidade de glucose no plasma. Nestes testes, se uma pessoa tem níveis de glicose no sangue de 126 mg/dl ou mais então tem diabetes, se tiver os níveis de glucose entre os 100 e 125 mg/dl então assinala uma pré-diabetes.
Após a pessoa comer ou beber algo, a comida é digerida e quebrada em açucares simples e glucose. A glucose é, então, absorvida para o sangue e transportada a todas as células do organismo. As células desempenham todas as suas diferentes actividades através da conversão da glucose em energia. Uma hormona específica, a insulina, envia um sinal às células para recolherem a glucose dos vasos sanguíneos circundantes. O pâncreas tem células especiais, chamadas de Ilhas de Langerhans. Estas células produzem insulina e liberta-a para os vasos sanguíneos assim que existe um aumento na quantidade de glucose no sangue. Se o corpo não conseguir produzir insulina suficiente ou se as células não responderem à insulina, a glucose vai permanecer no sangue e não vai entrar para as células que necessitam dela para produzir energia.

Como é que a Medicina Ocidental trata o diabetes?

As pessoas com a diabetes tipo 1 necessitam de tomar insulina em todas as refeições, uma vez que o organismo não produz nenhuma quantidade. A insulina é injectada no tecido gordo do corpo para poder ser absorvida directamente para o sangue. Não existe em comprimidos, pois seria destruída durante o processo digestivo. A diabetes tipo 1 tem um factor genético muito mais forte e é unicamente tratada com injecções.
Pessoas com a diabetes tipo 2 produzem insulina, mas ou não produzem em quantidade suficiente ou são resistentes a ela (o corpo não consegue usar a insulina correctamente). É desconhecido porque é que isto acontece, mas parece que os factores genéticos, a dieta e o exercício desempenham um papel combinado para o seu aparecimento. Muitos médicos e hospitais usam uma abordagem de equipa para os pacientes com diabetes tipo 2. A equipa inclui um endocrinologista para monitorizar os níveis de açúcar no sangue e para prescrever a medicação correcta, um dietista para explicar a dieta correcta para os diabéticos, um médico desportivo para criar um programa de exercícios que sejam seguros para promover exercício e perda de peso, e possivelmente um podologista e um oftalmologista, para fazerem um acompanhamento aos pés e olhos, respectivamente.

A diabetes é grave?

Os sintomas comuns da diabetes são: sede excessiva, aumento de apetite, urinar frequentemente, baixa energia, visão turva, frustração e irritabilidade, perda de peso e sensação de dormência nas mãos e pés. Muitos destes sintomas são atribuídos a outros aspectos do estilo de vida da pessoa, e são frequentemente ignorados como “coisas sem importância”. Se não for tratada, contudo, a diabetes pode resultar em complicações severas como: má circulação, atraso a sarar as feridas, ataque cardíaco, AVC, cegueira, estragos nos nervos e falha renal.
Se for tratado correctamente, as pessoas com diabetes podem viver uma longa vida saudável e feliz. Mas a diabetes não é uma doença que deva ser ignorada ou esquecida, necessita de ser constantemente monitorizada. Quando os níveis de açúcar no sangue começam a entrar em desequilíbrio, as pessoas vão sofrer de hipo ou hiperlicémia. Hipoglicémia significa níveis baixos de açúcar no sangue, e os sintomas são: tremores, tonturas, suores, fome, dores de cabeça, face pálida, dificuldade em prestar atenção, alterações de humor ou irritabilidade repentina. Isto deve ser tratado imediatamente (ou com bocados de glicose ou com um copo de sumo de fruta). Hiperglicémia significa que os níveis de açúcar no sangue estão muito elevados. Os níveis de açúcar ocasionalmente elevados no sangue podem ser devido a alterações na dieta ou quantidade excessiva de alimento, stress, doença ou gripe. Se os níveis de açúcar estão muito elevados durante um longo período de tempo significa que a diabetes não está controlada e deve ser reavaliada.

O dilema da diabetes

A chave para a Medicina ocidental ser eficaz no tratamento da diabete é o diagnóstico precoce, uma atenção constante da alimentação, exercício e medicamentos. Mas e se a pessoa tem complicações como fadiga ou neuropatias (dor nervos) que tornam difícil praticarem exercício? Ou refluxo esofágico, má digestão e baixo apetite que não permite ter uma dieta consistente? Ou se existem outros factores, como o stress, insónia? E ainda o desenvolvimento mais comum que é a medicação diminuir na sua eficácia ao longo do tempo. Muitas pessoas não conseguem adaptar-se aos programas para diabetes. Outros não gostam de tomar medicamentos durante períodos prolongados, os que sofrem dos efeitos secundários da medicação. E existem ainda as pessoas que não respondem à terapia medicamentosa.
A Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que usa conjuntamente a acupuntura e a fitoterapia chinesa, providencia uma alternativa segura e eficaz para as pessoas com diabetes.

História da Medicina Tradicional Chinesa na Diabetes

O que os médicos chamam hoje de diabetes tipo 2, era chamado na China antiga de xiao ke ou “voar e sede”. Foi primeiramente identificada como uma doença nos textos Médicos Chineses no 2º século AC. O nome refere-se à quantidade superior ao normal de urina, perda de peso e ao amento da sede  que representam 3 dos sintomas característicos da diabetes. Consideravam o xiao ke o resultado das alterações do estilo de vida do trabalho físico activo da agricultura nas vilas para um trabalho administrativo mais sedentário nas cidades. Especificamente, eles atribuíram a doença ao facto de se consumir durante longos períodos e em excesso comidas doces e gordurosas.
Os textos da Medicina Chinesa moderna usam o termo tang niao bing ou “doença de açúcar no sangue”. Isto está mais perto da palavra Grega diabetes  e a Latina mellitus, que em conjunto querem dizer “voando através do mel” ou urina que tem um cheiro adocicado. O nome na Medicina Chinesa mudou para uma reflexão mais precisa dos níveis elevados de açúcar no sangue e urina, nos diabéticos.
A alteração do nome reflecte a compreensão envolvida da diabetes na Medicina Chinesa tradicional. O tratamento, há mais de 2000 anos, de pessoas com sintomas de diabetes resultou num imenso registo clínico que cresceu com o seu conhecimento e experiências.

Acupuntura e diabetes

A MTC providencia um bom resultado para a diabetes porque tem uma ferramenta de diagnóstico baseada nos sintomas específicos, que conduzem a um regime de tratamento individualizado. O sucesso da MTC na diabetes também é medido pela diminuição dos níveis de açúcar no sangue, mas consegue-o através da correcção de todos os desequilíbrios que a pessoa possa ter. Isto não significa que existe um ponto específico de acupuntura para baixar os níveis de sangue, mas antes, a combinação de vários pontos de Plantas medicinais, para tratar as manifestações individuais da diabetes.
Os tratamentos individuais são seleccionados após o paciente ter discutido em detalhe o seu estilo de vida e saúde. Os três principais sintomas da diabetes (comer excessivamente, beber muito e urinar muito) correspondem a 1 das 3 áreas do corpo na MTC. Um exemplo disto é que a sede excessiva mostra um envolvimento da parte superior do corpo (tudo acima do diafragma), um grande apetite e a perda de peso mostra um envolvimento da parte medial do corpo (cavidade peritoneal) e um aumento da micção mostra um envolvimento da parte inferior do corpo.
Uma vez determinada a localização do desequilíbrio, todas as restantes queixas e detalhes são tomados em consideração para decidir em que padrão de MTC a pessoa se encaixa melhor. O tratamento vai focar-se no desequilíbrio que é responsável pelo aparecimento dos sintomas.
Um exemplo de como esta diferenciação de sinais e sintomas funcionam na MTC é o caso de uma mulher que tem níveis de açúcar no sangue constantemente acima dos 200 mg/dl, necessita constantemente de urinar, tem suores nocturnos, afrontamentos, pressão sanguínea elevada, insónia, excesso peso e fica com raiva facilmente. Inicialmente enquadrava-se na categoria da parte de baixo do corpo envolvido, devido ao excesso de micção, enquanto os outros sintomas apontam para uma condição que os acupuntores chamam de yin xu yang khan. Comparando com um homem que tem níveis de açúcar constantes de 180 mg/dl, sede persistente, memória fraca, formigueiro nas extremidades, rigidez na maioria das articulações e dores de cabeça frequentes. A sua sede severa aponta, inicialmente para um envolvimento da parte superior do corpo, e a sua colecção dos restante sintomas apontam para condições de xu do sangue do fígado e estagnação de sangue, de acordo com a terminologia da MTC. Ambos os exemplos, apresentam como a principal queixa um excesso de açúcar no sangue, mas cada um tem um conjunto de sintomas adicionais e desequilíbrios diferentes. Olhando para todos os detalhes que fazem um quadro geral de uma pessoa, a MTC oferece tratamentos de acupuntura e fitoterapia individualizados para tratar os níveis elevados de açúcar no sangue. É esta capacidade de tratar cada pessoa individualmente que permite à acupuntura ser popular e eficaz.

O uso de acupuntura e fitoterapia chinesa

Uma vez identificada a condição de MTC específica, a acupuntura e as plantas medicinais são seleccionadas para corrigir o desequilíbrio que causa essa condição. Ao contrário das condições dolorosas e outras doenças comuns, a MTC foca-se mais na fitoterapia do que na acupuntura para tratar a diabetes. Os pontos de acupuntura são usados durante cada sessão, mas a maioria dos pacientes diabéticos tomam fórmulas chinesas diariamente. Esta abordagem dupla, com ênfase na fitoterapia chinesa, permite a MTC tratar as pessoas holisticamente, ou tratar a “raiz” e “ramos” ao mesmo tempo. Muitos que parecem não estar conectados (ramos) muitas vezes têm uma raiz comum na MTC.  Os pontos de acupuntura são seleccionados para tratar a raiz ou corrigir desequilíbrios e, ao mesmo tempo, as suas principais manifestações ou sintomas. Ter diabetes não é a mesma coisa do que apanhar uma constipação, desenvolve-se ao longo de um período de tempo prolongado e causa alterações sistémicas bem maiores. Os tratamentos de acupuntura semanais não são suficientes para rectificar este tipo de alterações no caso da diabetes. A fitoterapia chinesa providencia uma maneira de  tratar a raiz e os ramos da diabetes entre tratamentos de acupuntura.
As fórmulas chinesas para a diabetes tipicamente contém entre 6 e 13 plantas diferentes que são combinadas para resolver a situação de cada pessoa de acordo com o diagnóstico de MTC especifico. Elas fortalecem os efeitos da acupuntura porque estão a resolver as mesmas questões.

Combinação da MTC com tratamentos ocidentais

A maioria das pessoas recorre ao uso da acupuntura e fitoterapia como coadjuvante aos seus tratamentos da diabetes, porque já estão a usar medicação, mas são incapazes de controlar os níveis sanguíneos de açúcar. A MTC trabalha muito bem com os tratamentos Ocidentais e os pacientes nunca têm de escolher entre um ou outro. O principal objectivo é que a pessoa tenha a diabetes sob controlo. Isto envolve, correntemente, o uso de medicamentos, plantas medicinais e acupuntura. Ao combinar os tratamentos ocidentais com a MTC vão haver melhores resultados e não existe conflito entre ambos.
Também é dado ênfase ao estilo de vida, à dieta e exercício, mas no contexto d situação actual da pessoa. Isto permite uma ponte entre o que a pessoa consegue fazer agora, com o que necessita de fazer no futuro.